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sexta-feira, 27 de março de 2009
flagelo
E se um dia eu pudesse inflamar minha alma
como uma fênix que alasse por sobre o mundo
e incendiasse todos os corações expurgando-os:
tornaria-me o Senhor das Paixões.
Ou, senão, fosse uma negra nuvem pairando no céu,
tapando o sol e tornando o dia uma gélida noite;
onde minhas gotas de lágrimas e sangue preciptassem:
tornaria-me o Senhor dos Flagelos.
Ainda que eu fosse só um mar revolto, atormentado
pela busca ansiosa de tomar a Lua para si,
engolfando navios e pescadores de ilusões:
tornaria-me o Senhor das Decisões.
Se meu povo me idolatrasse (sim, me idolatrassem),
se me vissem como um pseudo-mártir e orassem,
construiria uma igreja e pregaria o meu nome:
tornaria-me o Senhor dos Homens.
Mas ainda que eu fosse o Senhor dos Senhores,
que eu detesse o poder das Decisões,
o sufrágio dos Flagelos, ou o cupido das Paixões,
eu jamais me tornaria o Senhor do Seu Coração
segunda-feira, 23 de março de 2009
PRISÃO DAS SOMBRAS
Estou sozinho,desolado
Em meu mundo,isolado
Cercado pelas trevas,
Mergulhando em um silêncio profundo
Minha alma amargurada,
Não tem paz nenhum segundo
Sou um anjo renegado,
Um demônio arrependido
Sou dor,sou sofrimento,sou amigo e
Inimigo
Só espero a minha morte para enfim
Descansar
E reencontrar com aquele que me
Prendeu neste lugar
UM VERSO PARA MINHA MORTE
Agora, deito-me no vazio plano
Fecho os olhos, e uma claridade me consome
Algo que não podia esperar
Meus membros não se moviam
Meu coração não batia
Minhas respiração está devagar
E devagar
Está parando
Não consigo mais mover nenhum membro
Uma luz forte vinda do alto
Consome minha alma triste
E a eleva para o alto
Uma voz me fala para aceitar a ascensão
E que não posso pensar em nada
Uma brisa leve bate em meu rosto enquanto sorrio para o alto
Uma voz lá no fundo chama meu nome
Grita por mim
Uma forte dor no meu peito começo a sentir
O sorriso parou
Abro meus olhos vagarosamente
E volto a suspirar
Numa maca no hospital
Cercado por cirurgiões e enfermeiras
Me sinto melhor e menos angustiado
Mas agora sei
Que antes de seguir
Poderei dizer Adeus a quem tanto amei....
APENAS DEIXE SANGRAR
Buscar-te-ei e te encontrarei
E em ti minha lâmina cravarei.
Sinta pena de si mesmo agora!
Não olhe para o passado,
Apenas deixe sangrar,
Assim como uma ferida
Não estancada, não coagulada.
Não tenha medo da dor
Ela não é fundamental
Olhe para si mesmo,
Veja seu belo e trágico final!
Ele é tão gratificante para mim,
Veja o sorriso em meu rosto,
Está tudo tão claro agora... Não é baby?
Você se contorce no chão
Assim como um verme desprezível!
Você agoniza com a dor...
Suas vísceras estão jogadas
Espalhadas pelo caminho,
Seu sangue fluí como
Uma vertente através do solo.
Não pense na dor,
Ela é superficial!
Apenas tenha pena...
De si mesmo.
BURACO NEGRO
Buraco escuro!
“Estou entrando em um buraco escuro
Aonde só há tristeza, infelicidade, um vazio.
Aonde só há lágrimas, saudades.
Um buraco que já não sinto o calor
O coração parece sem força para bater
As pessoas já não consigo ver
Amigos parecem não mais existir
Sinto estar presa dentro deste buraco
Não consigo mais sair.
Um buraco que sempre esteve comigo
É um doce amargo
Este buraco se tornou o meu lar
E agora já não consigo
Nem uma única lágrima derramar
Este lugar que agora me acalma é o fundo da minha alma”!
ALMA PENTAGRAMA
Alma do pentagrama.
Na minha habitação escura e sombria eu estava
A admirar o cair da noite, e estava a me preparar
Para a colheita, a colheita do mau aquela que me fortalece
Quando eu enfraqueço.
Mas logo vem o sol Maldito sol aquele que consome
o meu corpo corroendo-o e me fazendo sofrer, mais do que eu já sofro
Nesse inferno que você chama de mundo.
Esse mundo aonde a almas morféticas a vagar
Com mais sede de sangue, vagando na paz do cemitério.
A procura de almas apontadas pelo meu pentagrama
Para sugar seu sangue e roubar a sua alma.
Mais por uma mera coincidência o apontado dessa vez foi eu.
FLORES NEGRAS
Recolham estas flores negras do jardim do inferno,
Flores regadas com minhas lágrimas, de sofrimento eterno.
Flores sombrias, e cheias de espinhos.
Flores que plantei quando sofria sozinha.
Flores frágeis mais de caule forte.
Flores amargas com perfume de morte!
Recolham estas flores tão tristes e letais,
Que ouviram minhas dores e agora não ouvirão mais.
Recolham estas flores, de aparência sombria e pura.
Recolham todas elas,
E depositem em minha sepultura!
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